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Se eu conseguia viver sem um governo PS?

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Li no Jornal de Negócios Online que Portugal "conseguiu" vender obrigações no valor de 750 milhões de euros a uma taxa de 4,598%, a pagar durante 30 anos.

Para quem não sabe o que são obrigações aqui fica uma pequena explicação acerca da utilidade das mesmas.

Imagine-se dono de uma grande empresa e que, para além disso, quer aumentar a sua produção. O mais certo é não ter o dinheiro que precisa à mão de semear e assim vai ter de fazer como toda a gente: pedir dinheiro emprestado a alguém. A hipótese mais provável é ter de ir ao banco.


Acontece que nos tempos que correm esta não é única forma de conseguir dinheiro. Se a dita empresa tiver uma boa imagem, se vende bons produtos, então pode dispensar a malta da banca. Para isso basta-lhe fazer uma coisa, obrigar-se a pagar juros, junto de quem lhe vai emprestar o dinheiro, durante alguns anos, os que mais lhe convierem, e a reembolsar tudo no final do prazo. Que é como dizem os especialistas: emitir obrigações!

Ora no panorama actual não são só as empresas a recorrer a esta forma de endividamento, também os estados tem por hábito fazer uso deste instrumento financeiro. E tanto empresas como estados recorrem a esta forma de financiamento porque lhes fica mais barato.

Se tudo correr bem...

Assim, tanto empresas como estados, tem uma alternativa ao tradicional empréstimo bancário.

Mas ao contrário das empresas, um estado não tem como única fonte de financiamento a emissão de obrigações e os empréstims bancários. Pode por exemplo pedir-lhe que pague mais impostos.

É claro que a malta que paga impostos também vota. E se um estado começar a esticar muito a corda acaba por dar o lugar a quem prometer baixar os impostos... Está-se mesmo a ver não é?

Nos outros países não sei, mas em Portugal, o estado também pode recorrer aos Certificados de Aforro. Eu, ou qualquer cidadão, pode adquirir Certificados de Aforro como forma poupança e precaver-se para algum infortúnio que o futuro lhe possa reservar. Ou simplesmente para concretizar algum sonho, uma viagem, um carro, uma casa... Só depende de quanto puder amealhar.

Mas a malta que ainda tem a possibilidade de poupar não vai adquirir Certificados de Aforro porque sim. Estes têm de garantir a quem poupa que se está a fazer um bom negócio. Ou seja, as taxas de juro a pagar pelos Certificados tem de ser atractivas.

Mas será que actualmente essas taxas o são?

É claro que não!

Senão não faria sentido estar para aqui a escrever sobre isso.

Os nosso governantes, na pessoa do senhor Fernando Teixeira dos Santos, ilustre Ministro das Finanças, pelos menos na perspectiva do nosso Primeiro Ministro, já que o reconduziu no cargo, fizeram o favor de introduzir alterações na forma como é calculada a taxa de juro dos Certificados de Aforro. De tal forma que muito pouca gente recorre a eles quando quer poupar.

Ganhou alguma o Governo PS?

Não me parece. Até porque logo a seguir à cobrança de impostos o recurso aos Certificados de Aforro, não esquecer que ao investir neste instrumento financeiro está a dizer ao estado para lhe guardar as suas poupanças, é a forma mais barata do estado se financiar. É só comparar as taxas dos Certificados de Aforro - pouco mais de 1% - e as taxas das obrigações que o estado "conseguiu" vender - mais de 4%!

Perdemos nós todos porque o que o estado paga a mais em juros vai ter de cobrar em impostos...

Como diz o anúncio, se eu conseguia viver sem um governo PS? Conseguia, mas não era a mesma coisa!
O meu nome é Gil Nunes e não teria de pagar tantos impostos.

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