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Como avaliar a aprendizagem

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Conteúdos e comportamentos da área afectiva

É um facto indiscutível que os educadores estão normalmente voltados para a área cognitiva, com esquecimento total ou quase total da área afectiva. Dito de outro modo, os centros educativos abandonaram a formação de atitudes, interesses, inserções, valores e crenças. Não obstante, no plano teórico, tanto as politicas educativas como as escolas dão grande importância a tal formação. Porque é que, então, na hora da verdade, os objectivos da área afectiva não fazem parte nem dos conteúdos educativos que, de facto, se desenvolvem, nem dos sistemas de avaliação utilizados? Várias são as razões.


Para começar, os conhecimentos lograram endeusar-se na mente da maioria dos professores e até da própria sociedade, de forma que não se dá a importância devida a formação de atitudes, interesses e valores. Daqui pode decorrer a actual crise de valores da juventude, com funestos resultados.

Como consequência, a organização escolar estabelece-se na base de conhecimentos a adquirir, sem acolher, em numerosas ocasiões, a formação da personalidade.

Por outro lado, a avaliação das condutas da área afectiva é muito mais complicada que a da área cognitiva, especialmente pela escassez de instrumentos que permitam a dita avaliação com validade e para períodos de tempo determinados. Como medir o grau de generosidade do aluno? Com que frequência se deve medi-lo? Mais adiante, expõem-se as técnicas e formas que se revelaram mais úteis a este respeito.

A juntar a isto, não é menos certo que os conteúdos da área afectiva não estão estruturados como os da área cognitiva e dão lugar a interpretações ambíguas, por falta de uma descrição que todos os educadores conheçam e entendam de modo similar.

Apesar de tudo, um sistema educativo que não dê a devida importância a esta formação é sumamente deficiente. Quais devem ser, então, os conteúdos desta formação afectiva? Para atender aos aspectos básicos da personalidade, pode-se falar de dois tipos de conteúdos: os que fazem referência aos aspectos peculiares ou subjectivos e que, portanto, variam de uns para os outros – tais são, por exemplo, os interesses – e os que se referem a aspectos objectivos, como pode ser a aquisição de uma adequada escala de valores ou de determinadas atitudes. Por serem os aspectos objectivos os únicos válidos para todos, a eles me cingirei. Para o professor, pode servir de guia valioso o seguinte quadro de atitudes ou valores:
a) Estilo de vida
1.1 Originalidade Alteridade
1.2 Alegria Tristeza
1.3 Forca Debilidade
1.4 Segurança Insegurança
b) Relação com as pessoas
2.1 Delicadeza Grosseria
2.2 Pontualidade Falta de pontualidade
2.3 Obediência Desobediência
2.4 Confiança Desconfiança
2.5 Verdade Mentira
2.6 Ajuda Estorvo
2.7 Cooperação Isolamento, oposição
2.8 Justiça Injustiça
2.9 Generosidade Avareza
c) Relação com as coisas
3.1 Trabalho Preguiça
3,2 Cuidado Descuido
3.3 Ordem Desordem
3.4 Constância Inconstância
3.5 Sobriedade Desperdício

A descrição resumida de cada comportamento seria a seguinte:
- Originalidade: Ter critérios próprios: saber decidir e julgar; ter iniciativa; revelar criatividade.
- Alegria: Saber reagir positivamente a qualquer circunstância e descobrir os aspectos positivos das coisas e das situações, manifestando-os aos demais.
- Força: Saber enfrentar com coragem e valentia as dificuldades da vida; ter capacidade de paciência e tolerância.
- Segurança: Estar convencido do seu valor, sem cair no orgulho ou na soberba; ter autoconfiança.
- Delicadeza: Ser respeitador e cortês no trato com os outros; ter firmeza espiritual.
- Pontualidade: Fazer o que há a fazer em cada momento, sem demoras injustificadas.
- Obediência: Cumprir o que é mandado e respeitar as normas estabelecidas.
- Confiança: Ter fé nos demais e estar convencido que estes são aptos para o que têm a fazer e possuem boas intenções.
- Verdade: Dizer, com naturalidade, a verdade em que se acredita; ser sincero.
- Ajuda: Auxiliar os outros; oferecer-se voluntariamente, preferindo a dignidade à utilidade ou ao interesse.
- Cooperação: Saber trabalhar com os outros em tarefas comuns e contribuir com o que pessoalmente se pode, aceitando a responsabilidade da parte correspondente.
- Justiça: Respeitar a propriedade dos outros; dar a cada um o que lhe corresponde.
- Generosidade: Dar a cada um, por altruísmo, mais do que lhe corresponde.
- Trabalho: Ter disposição e capacidade para dedicar-se a algo necessário e cumprir eficazmente o dever.
- Cuidado: Possuir disposição para tratar bem as coisas.
- Ordem: Saber dispor as coisas em relação adequada com o espaço e com o tempo.
- Constância: Ser firme no trabalho, nas decisões e nos propósitos.
- Sobriedade: Utilizar só o necessário, prescindindo do supérfluo; não ser caprichoso.

Carrasco, J. B., Como avaliar a aprendizagem, Edições ASA, 1989

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