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O tribunal da Boa Hora

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Vamos lá por partes...

Um tribunal chamar-se da "Boa Hora" convenhamos, não é que seja supersticioso, nem dado a sinais divinos, mas dá logo um ar de que não é sítio para se frequentar. Mesmo que o meu amigo seja o indivíduo mais honesto que exista no seu bairro...

Se bem que, nos tempos que correm, acaba por compensar ser mentiroso, corrupto, ladrão e até quem sabe banqueiro.


Mas voltemos ao Tribunal da Boa Hora. Diz o digníssimo presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que "não se vive de memórias" e assim defende que aquele sítio dava um excelente hotel.

Um hotel? Sim... E porque não? Não. Não, a coisa não me choca...

Então porque raio estou a escrever acerca do Tribunal da Boa Hora? Foi por ter ouvido a Juíza Presidente, peço desculpa mas não me lembro do nome da senhora, queixar-se que o novo edifício não tem dignidade e que todas as salas de audiência são interiores e que não têm iluminação natural?

É claro que não!

O que mais me chateia, é que esta é uma daquelas decisões de gente pobre, gente de vistas curtas, mas que infelizmente nos governa...

Alguma coisa tem que explicar o estado, a desgraça, actual do país que temos.

Então veja-se qual é a ideia: vamos vender um edifício, quem o comprar que faça o que entender com ele, e a malta com o dinheiro que vai embolsar vai pagar rendas de outros edifícios!?!?!

É ou não é coisa de gente pobre?

Quero é ver o que aquelas lâmpadas fundidas, Nosso Senhor me perdoe, vão fazer quando se lhes acabar o carcanhol e já não houver mais para rendas...

Quer dizer... Está-se mesmo a ver o que é que vai acontecer: vão aumentar-nos os impostos. E vão nos enfiar pelas orelhas dentro uma lengalenga do tipo: a justiça tem que ter dignidade, é preciso investir na justiça, etc e tal...

Não há pachorra!

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