Notícias

Portugueses inventam papel com memória

| Mais

Elvira Fortunato: descobertas em papel foram apresentadas em Estocolmo a convite da Fundação NobelÉ uma nova descoberta que já foi registada em patente internacional, dois meses depois dos transístores com papel: uma equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, liderada por Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, conseguiu pela primeira vez no mundo armazenar informação em fibras de papel.

Um artigo científico sobre esta invenção à nanoescala - memórias de transístores descartáveis em papel, que podem ser usadas e deitadas fora (ou recicladas) - vai sair na edição de 24 de Novembro da 'Applied Physics Letters' (APL), revista de referência mundial na área da Física do Estado Sólido publicada pelo Institute of Physics, dos EUA. E a revista britânica 'The Economist' já se referira ao assunto numa notícia que dedicou ao trabalho da equipa do Departamento de Ciência dos Materiais (DCM) da Universidade Nova, na sua edição de 18 de Outubro.

No artigo que vai ser publicado na 'APL' refere-se que "a indústria microelectrónica procura dispositivos de memória baratos e leves, o que está a levar a investigação científica a recorrer a materiais de baixo custo e dispositivos cujas estruturas podem ser fabricadas a baixas temperaturas e consumos de energia". A resposta a esta procura tem sido feita com dispositivos de materiais orgânicos, mas a tentativa de os usar como memórias - de modo a poderem escrever, apagar, ler e armazenar informação - depara com várias dificuldades "que restringem o seu campo de aplicações".

É o caso do tempo de retenção da informação, que não ultrapassa 1h15. Ora os cientistas da Universidade Nova provaram que é possível reter informação durante 14 mil horas (um ano e meio) usando fibras celulósicas naturais compactadas em camadas através de processos mecânicos - isto é, papel de arquitecto fabricado exclusivamente para o DCM - que simultaneamente conduzem e armazenam essa informação. Para isso são aplicados óxidos semicondutores à temperatura ambiente.

Os "chips" baseados em fibras de papel serão muito mais baratos do que os actuais e terão um grande potencial de aplicação em áreas tão diversas como etiquetas de identificação por radiofrequência para os produtos dos supermercados ou bagagens nos aeroportos, notas (dinheiro) com dispositivos electrónicos de segurança, selos de correio lidos por máquinas inteligentes, etc. Como diz o 'The Economist', a electrónica do futuro "poderá vir a basear-se mais no papel do que em eliminá-lo"...

O papel "tem muitas vantagens, porque é biodegradável, reciclável e fácil de produzir", assinala Elvira Fortunato. "Mas os dispositivos em papel ainda não têm o mesmo desempenho dos dispositivos convencionais, embora nas nanotecnologias tudo possa acontecer no futuro, porque a informação é imaterial".

Virgílio Azevedo
In Expresso Online, 24/11/2008

Categoria: Notícias da Física | Visualizações: 154

Notícias relacionadas:

Fibra óptica e olho electrónico das câmaras digitais galardoados com Nobel da Física
Já começou o primeiro passeio espacial para reparar o Hubble
Detectado o objecto mais longínquo do Universo através de explosão de raios gama
Secas de 30 anos ou mais são o padrão normal para África ocidental nos últimos 3000 anos
Efeito óptico
MP3 pode levar dez milhões de jovens europeus à surdez
Estar sentado muito perto da televisão prejudica os olhos?
Novo telescópio de baixo custo vai chegar a 10 milhões de pessoas
Portugueses inventam papel com memória
Poema para Galileo
Equinócio
Os enteados de Nobel
Descoberto planeta tão quente como algumas estrelas
Nobel para pioneiros da Física de Partículas
Quer ser o primeiro astronauta português? Candidate-se
Imagens da Agência Espacial Europeia mostram lixo espacial na órbita da Terra
Telescópio Hubble detecta molécula da vida em planeta extra-solar
O quilo está mais levezinho
Satélite espião dos EUA perde força e pode cair na Terra em Fevereiro
Concurso “Descobre o teu céu”
O vulcanismo da Lua lido num meteorito
O perímetro da Terra e o Solstício de verão
Dois astronautas fazem saída espacial para trabalhar no módulo Harmony