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Interior de Marte é mais frio do que se pensava
As observações de Marte feitas pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter revelaram que a crosta e o manto superior do planeta são mais rígidos e frios do que se pensava, informou o Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da Agência Espacial Norte-Americana (NASA).
A descoberta sugere a existência de água em forma líquida sob a superfície, possibilitando a existência de organismos vivos que poderiam viver em zonas mais profundas do que se poderia suspeitar, explicou a NASA, em comunicado.
"Nas nossas primeiras análises, dentro da calota polar usando o radar do Mars Reconnaissance Orbiter, podemos ver claramente formações de material congelado que traçam a história climática de Marte", explicou Jeffrey Plaut, cientista do JPL, acrescentando que "o radar abriu um novo caminho para estudar o passado de Marte".
O comunicado do JPL revelou que as imagens enviadas pelo Mars Reconnaissance Orbiter mostram um limite plano entre a camada de gelo e a crosta rochosa. Na Terra, o peso de uma camada de gelo similar teria causado um deslocamento dessa superfície - o fato de isso não ter ocorrido em Marte significa que sua camada exterior, ou litosfera, deve ser muito grossa e fria, afirma o JPL.
"A litosfera de um planeta é a sua parte rígida. Na Terra, a litosfera é a parte que se racha durante um terramoto", explicou Suzanne Smrekar, subdiretora científica do projeto do Mars Reconnaissance Orbiter do JPL. "A capacidade do radar ver através da camada de gelo e determinar que não existe uma deformação da litosfera dá-nos pela primeira vez uma ideia das temperaturas no interior de Marte", acrescentou.
Segundo o JPL, a descoberta de que a litosfera marciana é muito mais grossa significa que a água líquida debaixo da superfície teria de estar em zonas muito mais profundas.