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Telescópio Hubble detecta molécula da vida em planeta extra-solar

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Descoberto metano a 63 anos-luz da Terra

Pela primeira vez foi encontrado metano em estado gasoso num planeta de outro sistema solar. O telescópio espacial Hubble foi o responsável pela descoberta da molécula da vida na atmosfera do planeta HD 189733b, localizado a 63 anos-luz, na constelação de Vulpecula.

Giovanna Tinetti, Mark Swain, Gautam Vasisht foram os co-autores do artigo que descreve a descoberta, publicado na revista "Nature".

O metano é uma molécula formada à base de carbono, daí o nome de molécula orgânica, que foi muito importante para o aparecimento de vida na Terra. O metano também pode ser produzido por seres vivos.

“Este planeta é um gigante gasoso muito parecido com Júpiter, mas a sua órbita é muito próxima da sua estrela mãe”, disse Tinetti à BBC online. “O metano existente lá, apesar de podermos designar como sendo uma molécula orgânica, não é produzido por sistemas vivos. O planeta é demasiado quente para conter vida”, confirma a cientista que trabalha no Laboratório de Jet Propulsion da NASA (agência espacial norte-americana), em Pasadena, Califórnia.

As observações foram feitas quando o planeta se pôs à frente da estrela mãe. A luz da estrela, ao atravessar a atmosfera do planeta, ficou com a impressão do gás. Depois, através de uma técnica chamada espectroscopia, que decompõe a luz em vários componentes, foi possível detectar essa “impressão digital” do metano.

Vida para lá da Terra

Conseguir identificar moléculas orgânicas em planetas extra-solares é um grande passo para a caracterização desses planetas e para a procura de vida extraterrestre.

“A detecção de metano, por si só, não tem nenhuma implicação directa para a descoberta de vida”, diz Adam Showman, do departamento das Ciências Planetárias na Universidade do Arizona. “Apesar disso, prova que a técnica pode ser potencialmente usada para caracterizar a atmosfera de planetas rochosos [como a Terra].”

O planeta gigante está mais perto do seu sol do que Mercúrio está do nosso. A temperatura da atmosfera chega aos 900ºC, próximo do ponto de fusão da prata.

Nesta experiência confirmou-se a existência de água no estado gasoso no planeta, descoberta já feita pelo Spitzer - telescópio espacial da NASA.

Até agora já se descobriram 270 planetas extra-solares, nenhum deles como a Terra. A caracterização desses planetas tem sido limitada, ficando-se pela massa e o tipo de órbita que têm. A informação das moléculas na atmosfera desses corpos é um passo em frente no conhecimento do Universo.

Categoria: Notícias da Física | Visualizações: 255

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