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A poluição acabou com o ceú nocturno

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Ainda adolescente, Alberto Vaz da Silva já conseguia identificar as 88 constelações que existem. Advogado e grafólogo, lamenta que as pessoas tenham perdido "o maravilhamento das estrelas".


Como se apaixonou pela astronomia?
Desde pequeno que o ceú representa um enigma para mim. Porque é que eram tantas as estrelas, de dimensões e cores diferentes, a formar desenhos tão reconhecíveis mas sempre abordados de ângulos diferentes, consoante a época em que os observava? Fui procurando, folheando livros de astronomia, cartas do céu. Aos poucos, ainda adolescente aprendia a identificar as 88 constelações que há no céu. Aos 17 anos ganhei uma viagem ao Brasil, e aí, durante um mês, explorei as constelações austrais, tão diferentes em espírito das do hemisfério norte.
E de que diferenças falamos?
Estas vêm dos caldeus e dos assírios, dos persas e dos egípcios; em cada contexto religioso e social representavam um aspecto da relação dos homens com o divino. No tempo dos gregos e dos romanos foram, por famílias, associadas aos respectivos mitos. Por exemplo, a rainha Cassiopeia e o rei Cefeu vangloriavam-se de que a sua filha Andrómeda era mais bela do que as filhas de Neptuno. O deus irado, mandou um mosntro, a Baleia, para que devorasse Andrómeda. Mas Perseu, montado no cavalo alado Pégaso, foi libertá-la e restituir-lhe a vida. Todas estas constelações, Cassiopeia, Cefeu, Andrómeda, Baleia, Perseu e Pégaso, giram à volta do Pólo Norte.
As famílias que as constelações representam contam uma história...
As crianças deliram com estas histórias e com o reconhecimento das constelações, em observações directas ou em sessões de planetário.
Bom para desenvolver a imaginação?
Se o lado mitológico da astronomia alarga os horizontes da imaginação e da cultura, para os cientistas são pontos de referência obrigatória: as estrelas são identificadas por letras do alfabeto grego seguidas do genitivo latino do nome da respectiva constelação. Algumas têm nomes fascinantes: a Cabeleira de Berenice, o Auriga, a Hidra...
A poluição atmosférica impede o visionamento de constelações?
Lamentavelmente, por causa da poluição luminosa, o céu nocturno deixou de fazer parte do quotidiano das pessoas e perdeu-se o maravilhamento das estrelas. É uma amputação grave. Desde que o homem é homem o fascínio dos astros determinou imaginações,fantasias, destinos. Carl Sagan dedicou a sua vida à astronomia porque em pequeno lia Edgar Rice Burroughs, que criou um herói que, nas noites de Verão, se estendia de costas na praia, olhava para Marte e imaginava-se transportado para junto de reinos e dos guerreiros do planeta vermelho e das belas grutas e princesas aí protagonistas das mais fantásticas aventuras.

In Revista Sábado, 27 de Setembro de 2007

Categoria: Entrevistas | Visualizações: 189

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